Multilinguismo entre os ciganos: uma realidade de diversidade linguística e cultural

O povo Romani, conhecido popularmente como cigano, é uma das comunidades mais marcadas pelo multilinguismo em todo o mundo. Vivendo em diferentes países desde sua diáspora histórica, os romani aprenderam a transitar entre línguas, absorvendo culturas e criando redes de comunicação únicas. Essa diversidade linguística não é apenas uma característica, mas um modo de vida, que reflete resistência, adaptação e sabedoria ancestral. A Kalinda Lav Traduções e Idiomas surge desse mesmo princípio: a palavra como ponte entre culturas, povos e saberes. Mas como funciona esse multilinguismo? E por que ele é tão importante para compreender a riqueza da etnia romani e, ao mesmo tempo, para inspirar serviços de tradução e ensino de línguas no presente?

O multilinguismo entre os povos romani é mais que falar várias línguas: é criar um universo de conexões. Essa habilidade permitiu que comunidades ciganas resistissem ao apagamento cultural, sobrevivessem às perseguições e mantivessem sua identidade ao longo dos séculos. Para a Kalinda Lav, essa herança é inspiração viva. Cada serviço de tradução e ensino de idiomas que oferecemos nasce desse mesmo princípio: acreditar que as palavras são pontes de transformação.

A origem da diversidade linguística romani

A história dos povos romani é marcada por deslocamentos. Pesquisas linguísticas e genéticas apontam que os ancestrais dos ciganos saíram da região do noroeste da Índia por volta do século XI, migrando gradualmente para o Oriente Médio, a Europa e, posteriormente, para as Américas. Ao longo desse processo, o contato com diferentes povos e culturas tornou inevitável a incorporação de múltiplos idiomas.

Segundo o Conselho da Europa, hoje há mais de 12 milhões de romani espalhados pelo mundo, formando comunidades diversas que falam línguas nacionais como espanhol, romeno, turco, árabe, português, húngaro, além de variantes regionais da língua romani. Essa multiplicidade de repertórios linguísticos mostra que, para os romani, o multilinguismo não é luxo: é necessidade histórica e cultural.

Romani Chib: a língua que unifica

O romani chib (ou simplesmente romani) é o idioma próprio dos povos ciganos. Pertencente ao ramo indo-ariano da família indo-europeia, guarda semelhanças com línguas do norte da Índia, como hindi e punjabi. Apesar disso, sofreu influências profundas ao longo da diáspora, resultando em diversas variantes regionais.

Na Península Ibérica, por exemplo, surgiu o caló, uma mistura do romani com o espanhol. Em outros contextos, elementos do romani se incorporaram ao vocabulário das línguas locais. No Brasil, expressões como “cigano” (do romani ṭhagar), “gadjo” (não-cigano) e até palavras usadas no dia a dia — como “caló” para se referir ao grupo ibérico — são resquícios dessa presença linguística.

Assim, o romani chib funciona como elo identitário. Mesmo quando fragmentado e transformado, carrega consigo a memória coletiva do povo romani.


Multilinguismo como resistência cultural

A marginalização histórica dos povos ciganos — perseguições, expulsões e tentativas de assimilação forçada — fez com que o multilinguismo fosse também uma forma de resistência. Falar várias línguas significava sobreviver em contextos hostis, mas também preservar códigos internos de comunicação, muitas vezes inacessíveis aos “gadje” (não-ciganos).

Esse jogo de alternar entre o romani e a língua dominante do país é conhecido como code-switching. Essa prática é comum entre comunidades multilíngues, mas, no caso romani, possui um valor simbólico: representa a capacidade de manter a identidade mesmo em meio à adaptação. É resistência linguística contra o apagamento cultural.


O valor cultural e espiritual da palavra

Entre os povos romani, a palavra tem poder. Não se trata apenas de comunicar, mas de transmitir valores, histórias, música, espiritualidade e ensinamentos. O multilinguismo é, assim, também uma expressão cultural.

As narrativas orais, canções e poesias em romani ou em línguas locais reforçam vínculos comunitários e transmitem sabedoria de geração em geração. O ato de preservar expressões ancestrais em diferentes línguas é, portanto, um modo de reafirmar a própria existência

A ponte entre passado e presente

Hoje, em pleno século XXI, o multilinguismo romani dialoga com questões globais. Em um mundo cada vez mais conectado, onde o conhecimento de línguas estrangeiras é valorizado, os ciganos já viviam essa realidade há séculos.

Esse exemplo ecoa diretamente na filosofia da Kalinda Lav Traduções e Idiomas: a tradução não é apenas técnica, mas mediação cultural. Assim como os romani souberam atravessar fronteiras mantendo a pluralidade linguística como riqueza, a empresa se coloca como espaço que valoriza essa diversidade e a coloca a serviço de quem precisa se comunicar no mundo globalizado.

Cada expressão em romani, português, espanhol ou inglês carrega histórias, memórias e espiritualidade. É nesse cruzamento de línguas e culturas que a Kalinda Lav se fundamenta. Nosso trabalho não é apenas técnico, mas também cultural: preservar ancestralidade, respeitar identidades e promover conexões entre mundos. Escolher nossos serviços é acessar mais do que traduções — é acessar um modo de vida enraizado na diversidade linguística e cultural dos povos ciganos.

Kalinda Lav: a tradução como herança

O nome Kalinda Lav significa “Palavras Ancestrais, Palavras que Dançam, Palavras Negras, em romani”. Ele reflete a visão de que a tradução deve respeitar o peso cultural das palavras, assim como os povos romani sempre fizeram.

Fundada a partir dessa herança, a Kalinda Lav reconhece que o multilinguismo é mais que competência profissional: é filosofia de vida. Cada tradução, versão ou curso de idiomas oferecido pela empresa nasce da inspiração nos povos ciganos, que há séculos transformam as palavras em pontes.


Multilinguismo e globalização: um legado atual

O multilinguismo romani antecipa tendências que hoje se tornaram necessidades globais. Instituições de ensino e empresas buscam profissionais capazes de transitar entre culturas, compreender contextos e traduzir não apenas vocabulário, mas sentidos.

A valorização da diversidade linguística está presente em iniciativas como o Atlas das Línguas em Perigo da UNESCO, que reforça a urgência de preservar idiomas minoritários. O romani, embora ainda falado por milhões, também enfrenta riscos de erosão linguística. Manter sua vitalidade é, portanto, essencial para a preservação da identidade romani.


O futuro do multilinguismo romani

Pesquisadores, universidades e movimentos culturais vêm se mobilizando para documentar e revitalizar a língua romani. Em países como Espanha e Hungria, há projetos educacionais que integram o romani chib ao currículo escolar, buscando fortalecer a identidade das novas gerações.

Esse movimento mostra que o multilinguismo romani não é apenas uma herança do passado, mas uma chave para o futuro. Ele permite que os povos ciganos ocupem espaços contemporâneos sem abrir mão da ancestralidade.

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